Terça, 22 de setembro de 2026
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Cotia

22/09/2026 às 08h23

Reinaldo Souza

Cotia / SP

Dia Mundial Sem Carro: uma reflexão sobre mobilidade, segurança viária e o futuro das cidades
Celebrado em 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro propõe uma reflexão sobre a dependência dos automóveis
Dia Mundial Sem Carro: uma reflexão sobre mobilidade, segurança viária e o futuro das cidades

REPORTAGEM ESPECIAL | MOBILIDADE URBANA E SEGURANÇA VIÁRIA


22 de setembro | Mobilidade sustentável, cidadania e valorização da vida


Dimanche sans voiture à Bruxelles: ce qu'il faut savoir


Mobilidade urbana sustentável: ruas mais acessíveis, seguras e compartilhadas.


Dia Mundial Sem Carro: mais do que deixar o veículo em casa, uma oportunidade de salvar vidas


Celebrado em 22 de setembro, o Dia Mundial Sem Carro propõe uma reflexão sobre a dependência dos automóveis, os impactos do trânsito na qualidade de vida e a necessidade de construir cidades mais seguras, acessíveis e sustentáveis para todos.


Todos os anos, o dia 22 de setembro convida a população a repensar a maneira como se desloca. A proposta é simples: sempre que possível, deixar o carro em casa e experimentar alternativas como o transporte coletivo, a bicicleta, a caminhada ou outras formas de deslocamento.


A iniciativa, porém, vai muito além de reduzir o número de automóveis nas ruas durante um único dia. Ela abre espaço para uma discussão necessária sobre o modelo de mobilidade urbana, a convivência entre os diferentes usuários das vias públicas e, principalmente, a preservação da vida.


Em cidades cada vez mais movimentadas, nas quais o deslocamento diário faz parte da rotina de milhões de pessoas, refletir sobre o uso consciente do automóvel também significa discutir segurança viária, saúde pública, acessibilidade e qualidade de vida.


O trânsito que queremos começa pelas escolhas que fazemos


O Dia Mundial Sem Carro está diretamente relacionado à segurança viária. A quantidade de veículos em circulação, a organização do espaço urbano e o comportamento dos condutores influenciam a maneira como pedestres, ciclistas, motociclistas e usuários do transporte coletivo compartilham as vias.


Em São Paulo, a dimensão desse desafio é expressiva. A capital ultrapassou 10,1 milhões de veículos registrados em julho de 2026, segundo dados da Senatran divulgados pela imprensa. O crescimento da frota intensifica o debate sobre congestionamentos, infraestrutura e alternativas de deslocamento.


Mas é importante compreender: o problema não está simplesmente em possuir ou utilizar um automóvel, e sim em como a mobilidade é organizada e compartilhada.


Para muitas pessoas, o carro é uma necessidade, seja pela distância entre casa e trabalho, pela falta de transporte público adequado, por questões de acessibilidade ou pelas exigências profissionais e familiares.


Por isso, a proposta do Dia Mundial Sem Carro não deve ser encarada como uma crítica individual aos condutores, mas como um convite coletivo para ampliar as possibilidades de deslocamento e reduzir a dependência do transporte individual motorizado sempre que houver alternativas viáveis.


Segurança viária: menos conflitos e mais respeito à vida


Mobilidade urbana na redação do Enem: como abordar o tema?


A relação entre mobilidade sustentável e segurança viária passa por um princípio fundamental: as ruas devem ser planejadas para proteger todas as pessoas, especialmente aquelas que estão mais vulneráveis em caso de sinistro.


Quando uma cidade oferece condições adequadas para caminhar, pedalar e utilizar o transporte coletivo, ela amplia as possibilidades de deslocamento sem depender exclusivamente do automóvel.


Entre os benefícios potenciais estão:




  • Menor exposição ao risco viário: a redução do número de veículos em circulação pode diminuir a quantidade de situações de conflito entre automóveis, pedestres e ciclistas, dependendo das condições locais.




  • Mais espaço para as pessoas: ruas com calçadas acessíveis, travessias seguras e infraestrutura cicloviária adequada favorecem a circulação de usuários vulneráveis.




  • Redução de congestionamentos: quando parte dos deslocamentos é transferida para alternativas eficientes, pode haver diminuição da pressão sobre as vias.




  • Melhoria da qualidade ambiental: a redução de viagens motorizadas individuais pode contribuir para diminuir emissões de poluentes e ruídos, conforme os veículos e os modos de transporte envolvidos.




Esses resultados, entretanto, não são automáticos. A segurança depende também de velocidades compatíveis com o ambiente, fiscalização, sinalização, infraestrutura adequada e comportamento responsável dos usuários.


A Secretaria Nacional de Trânsito destaca, em suas orientações sobre a Semana Nacional de Trânsito, a importância da proteção dos usuários vulneráveis, da acessibilidade e do acalmamento do tráfego como elementos de uma mobilidade mais segura.


Os condutores estão aderindo ao Dia Mundial Sem Carro?


A man rides his bicycle along the Paulis


A adesão ao Dia Mundial Sem Carro varia de acordo com a realidade de cada cidade, a disponibilidade de transporte público, a infraestrutura para bicicletas e pedestres e as condições de deslocamento da população.


A data é celebrada internacionalmente e incentiva as pessoas a experimentarem alternativas ao automóvel. No entanto, não há, nas fontes consultadas para esta reportagem, um levantamento nacional consolidado que permita afirmar quantos condutores brasileiros deixam efetivamente seus veículos em casa em 22 de setembro.


Dia Mundial Sem Carro


Essa ausência de um indicador nacional não significa que a iniciativa não tenha relevância. Ela evidencia a importância de acompanhar a participação da população por meio de pesquisas de mobilidade, contagens de veículos, dados do transporte coletivo e avaliações de ações realizadas pelos municípios.


Também é necessário considerar que nem todos os condutores têm as mesmas condições para aderir. Em determinados locais, a falta de linhas de ônibus, a distância dos destinos ou a ausência de calçadas e ciclovias seguras podem inviabilizar a substituição do automóvel.


Por essa razão, a adesão não deve ser medida apenas pela quantidade de pessoas que conseguem ficar um dia sem dirigir, mas também pelo avanço das condições que tornam essa escolha possível.


Existe impacto real quando as pessoas deixam o carro em casa?


Sim. A redução do uso do automóvel pode produzir efeitos concretos, principalmente quando ocorre em escala significativa e acompanhada de alternativas adequadas.


Em um dia com menos veículos nas ruas, podem ocorrer:


Menos pressão sobre o sistema viário


A diminuição de viagens individuais pode aliviar determinados corredores e horários, embora o efeito dependa do volume de adesão e das condições do trânsito.


Estímulo a outras formas de deslocamento


A data incentiva a população a experimentar a bicicleta, a caminhada e o transporte coletivo, contribuindo para o debate sobre a diversidade de opções de mobilidade.


Benefícios ambientais e para a saúde


A substituição de viagens motorizadas por deslocamentos ativos pode reduzir emissões associadas aos trajetos e ampliar a prática de atividade física.


Convivência e cidadania


A iniciativa reforça a ideia de que o espaço público pertence a todos e deve garantir condições seguras de circulação, independentemente do meio de transporte utilizado.


A Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, programou para 22 de setembro de 2026 uma ação especial com atividades educativas e culturais em espaço dedicado aos pedestres, como parte da Semana Nacional de Trânsito. A iniciativa ilustra como a data pode ser utilizada para aproximar a população do debate sobre mobilidade e segurança.


Prefeitura de Belo Horizonte


Ainda assim, um único dia não é suficiente para demonstrar uma redução permanente de acidentes, congestionamentos ou poluição. Para verificar esses resultados, seria necessário comparar indicadores antes, durante e depois das ações, considerando fatores como volume de tráfego, clima, horário e características da região.


O papel dos agentes de trânsito e da AGTESP


SMTT realiza ação educativa na Semana Nacional de Trânsito em Arapiraca | Todo Segundo


No contexto do Dia Mundial Sem Carro, os agentes de trânsito desempenham um papel importante na orientação dos usuários, na organização da circulação e na promoção de comportamentos seguros.


Sua atuação está relacionada não apenas à fiscalização, mas também à educação para o trânsito, à prevenção de sinistros e ao apoio à construção de uma cultura de respeito entre todos os que utilizam as vias públicas.


É nesse cenário que se insere a AGTESP — Associação dos Agentes de Trânsito dos Municípios e do Estado de São Paulo, entidade que representa e reúne profissionais da área de trânsito e segurança viária.


A participação de entidades representativas como a AGTESP é relevante para fortalecer o debate público sobre mobilidade, valorizar o trabalho dos agentes e incentivar iniciativas de conscientização que aproximem o poder público e a sociedade.


A reflexão proposta pela data também reforça a importância de investimentos em educação para o trânsito, capacitação profissional, infraestrutura segura e políticas públicas que considerem as necessidades dos diferentes usuários das vias.


Afinal, a segurança viária não é responsabilidade exclusiva de quem dirige, pedala ou caminha. Ela depende de uma atuação conjunta entre cidadãos, gestores públicos, profissionais de trânsito e instituições.


Do Dia Mundial Sem Carro à mobilidade que queremos todos os dias


O principal desafio é transformar a reflexão de 22 de setembro em mudanças que permaneçam ao longo do ano.


Para isso, é necessário avançar em medidas como:




  • Ampliação e melhoria da oferta de transporte público.




  • Construção e manutenção de calçadas acessíveis e travessias seguras.




  • Expansão de estruturas cicloviárias conectadas e protegidas.




  • Planejamento urbano que aproxime moradia, trabalho, serviços e equipamentos públicos.




  • Fiscalização e educação voltadas à redução de comportamentos de risco.




  • Monitoramento dos indicadores de mobilidade e segurança viária.




Essas medidas dialogam com os objetivos da Semana Nacional de Trânsito e com a necessidade de construir ambientes urbanos que favoreçam deslocamentos mais seguros e sustentáveis.


Uma escolha individual que precisa de condições coletivas


O Dia Mundial Sem Carro não exige que todos abandonem definitivamente seus automóveis. Ele convida a sociedade a refletir sobre quando, como e por que utilizamos nossos veículos, além de questionar se nossas cidades oferecem alternativas seguras e acessíveis.


Para alguns, deixar o carro em casa pode significar uma caminhada até o trabalho. Para outros, utilizar o transporte coletivo ou compartilhar uma viagem. E, para quem não dispõe de alternativas, a data pode representar uma oportunidade de cobrar melhorias na infraestrutura e nos serviços públicos.


O benefício mais importante está em compreender que a mobilidade não deve ser medida apenas pela velocidade dos veículos ou pela capacidade das avenidas, mas também pela segurança, acessibilidade e qualidade de vida das pessoas.


Neste 22 de setembro, a mensagem é clara: mais do que reduzir a presença dos carros por um dia, precisamos construir cidades nas quais todos possam chegar ao seu destino com segurança, respeito e dignidade.


A AGTESP reforça, nesse contexto, a importância da valorização dos profissionais de trânsito e do compromisso coletivo com uma mobilidade mais humana.


Porque, no trânsito, enxergar o outro é reconhecer que cada pessoa tem o mesmo direito de chegar em segurança.


AGTESP — Associação dos Agentes de Trânsito dos Municípios e do Estado de São Paulo


“No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.”


Segurança viária, educação e valorização dos agentes de trânsito.


Fontes e referências


 




  • Ministério dos Transportes / Senatran — Semana Nacional de Trânsito 




  • Confederação Nacional de Municípios — Mobilidade sustentável e segurança viária 




  • Dia Mundial Sem Carro — iniciativa e objetivos 




  • Prefeitura de Belo Horizonte — programação de 22 de setembro de 2026 




  • Observatório Nacional de Segurança Viária — campanha de conscientização 




  • Folha de S.Paulo — frota de veículos e desafios da mobilidade em São Paulo



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Blog/coluna O colunista Reinaldo Souza é Agente Municipal de trânsito na cidade de Cotia, Formado em gestão pública, Membro da comissão PCD da OAB Cotia, Representante Estadual da categoria dos Agentes de Trânsito pela AGTBRASIL, palestrante, estudioso da matéria trânsito.
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