Enquanto um cidadão anônimo move o Ministério Público, vereadores, oposição e até o sindicato assistem de braços cruzados — com discursos prontos, indignações ensaiadas e nenhuma atitude concreta.
Santana de Parnaíba conseguiu o que parecia impossível: transformar o vale-alimentação dos servidores em mais um episódio da comédia de erros chamada gestão pública.
Uma nova regra, aprovada sem resistência pela Câmara Municipal — com apenas um voto contrário (do único lúcido da turma) — determina que o servidor que faltar ao trabalho perde o benefício. Mesmo com atestado médico. Isso mesmo: além de doente, tem que ser saudável, presente e obediente.
Segundo os vereadores que votaram a favor — praticamente todos — a medida visa “motivar” os servidores a comparecerem ao trabalho.
Ao que parece, Santana de Parnaíba descobriu um método inédito de gestão pública: cortar comida para aumentar produtividade. Só pode ser piada.
Felizmente, o Ministério Público do Estado de São Paulo ainda funciona. Foi ele quem tomou a atitude que se esperava de qualquer parlamentar ou liderança sindical minimamente comprometida com os direitos dos trabalhadores: entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, apontando que a lei é ilegal, imoral e desumana.
Mas e a oposição? Bem... que oposição?
Tem vereador por aí que adora se autointitular “a resistência”, mas, na hora de resistir de verdade, prefere o silêncio. Não foi ao Ministério Público, não protestou na tribuna, não gravou vídeo, não fez live, não distribuiu panfleto. Nada. É a oposição do faz de conta: finge lutar, mas se esforça mesmo é pra não se comprometer.
E o ex-vereador e ex-candidato a prefeito Silvinho Filho? Silêncio absoluto. Só aparece em época de eleição e, mesmo assim, não levou a questão ao Ministério Público, nem pediu apoio ao sindicato, nem cobrou dos vereadores eleitos pelo seu próprio partido, como Jhonathan Gomes e João Galhardi. Parece que, desde que perdeu a eleição, perdeu também o interesse pela cidade.
E o sindicato? Teoricamente, a entidade que deveria estar à frente da luta pelos direitos dos servidores. Mas, na prática, sumiu. Não entrou com ação, não mobilizou ninguém, não pressionou os vereadores. O sindicato, que deveria ser escudo, virou pano de fundo.
Curiosamente, quem levou o caso ao Ministério Público não foi político, nem partido, nem sindicato. Foi um cidadão anônimo — provavelmente alguém cansado de ver o circo pegar fogo enquanto os palhaços da política local continuam no camarim, penteando o próprio ego.
Essa situação escancara duas verdades dolorosas:
1. Os servidores públicos estão por conta própria.
2. A oposição e o sindicato de Santana de Parnaíba estão tão desorganizados que um Zé Ninguém — que vale mais que muito Zé Alguém — teve que fazer o trabalho deles.
Enquanto isso, nossos representantes seguem legislando contra o povo. Quem sabe na próxima sessão eles aprovem um “auxílio vergonha na cara”. Mas aí, claro, seria um benefício com pouquíssimos aptos a receber.
Fonte: Ação Direta de Inconstitucionalidade - 2230824-50.2025.8.26.0000
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