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Santana de Parnaíba

26/01/2026 às 14h10 - atualizada em 26/01/2026 às 14h21

Raquel Toian

Santana de Parnaíba / SP

Hospital Santa Ana: cinco anos de obra, dois meses de frustração
Gestão comemora números e discursos, mas usuários relatam precariedade, transferências constantes e serviços incompletos.
Hospital Santa Ana: cinco anos de obra, dois meses de frustração
Em novembro de 2025, Santana de Parnaíba cortou a fita de um sonho antigo.. Depois de cinco anos de obras, anúncios, placas otimistas e discursos empolgados, finalmente foi inaugurado o tão aguardado Hospital Santa Ana, apresentado como um moderno equipamento de saúde, com 200 leitos e promessa de atendimento de excelência. Cinco anos para sair do papel e dois meses para cair na boca do povo. O erro, como dizem por aí, já começa na largada!

construção teve início em 2020. Cinco anos depois, o hospital abriu as portas. Em tempos de tecnologia avançada, inteligência artificial e cirurgias robóticas, Santana levou meia década para colocar um hospital para funcionar. Tempo demais para algo que, ao que tudo indica, ainda nasceu incompleto. A sensação é de que o prédio ficou pronto, mas o hospital, não.

Antes mesmo do primeiro paciente, o Santa Ana já enfrentava um drama digno de novela jurídica. A licitação para definir quem administraria o hospital virou palco de disputa entre empresas, com brigas, recursos, acusações e judicialização. O resultado foi atraso, insegurança e um início já marcado por confusão. Quando a gestão começa brigando no papel, dificilmente termina organizada no atendimento.

Dois meses após a inauguração, o que se vê não é o hospital de ponta prometido, mas algo que lembra mais um pronto-socorro improvisado, com estrutura limitada e alcance reduzido. Cirurgias? Só fora do município. Procedimentos mais complexos? Também. Gestantes? Apenas parto normal, desde que sem qualquer risco. Se houver complicação, o caminho é pegar a estrada. Um hospital com 200 leitos que transfere pacientes como rotina não é exatamente o símbolo de autonomia que se esperava.

Enquanto isso, o prefeito Elvis Cezar segue exaltando o Santa Ana como vitrine de uma suposta “melhor saúde do Brasil”. A frase soa bonita em discurso, mas ecoa estranha nos corredores onde faltam serviços básicos. Há uma diferença considerável entre administrar uma narrativa e administrar um hospital. E, até aqui, parece que a gestão está mais preocupada com a primeira. 

oposição, que teoricamente deveria cumprir o papel de fiscalizar, também parece confortável demais. Silvinho Filho, presidente do PSD no município, ocupa boa parte do tempo nas redes sociais criticando a gestão, mas a indignação virtual não se traduz em ações concretas. Não há denúncia formal no Ministério Público, não há cobrança institucional, não há pressão efetiva.

Mais curioso ainda é o comportamento dos dois vereadores eleitos pelo próprio partido. Jonathan Gomes e João Galardi, que deveriam estar fiscalizando o funcionamento do hospital, aparecem sorridentes em fotos ao lado do prefeito, entregando homenagens e participando de cerimônias protocolares. Fiscalização virou figurino! Oposição virou legenda! A impressão que fica é que todos, inclusive quem reclama nas redes, acabam passando pano para a gestão. Uma oposição de araque, daquelas que fazem barulho, mas não incomodam.

Enquanto políticos ensaiam discursos e tiram fotos, quem realmente enfrenta a situação são cidadãos comuns. Sem cargo, sem partido, sem gabinete. Apenas com a cara, a coragem e a indignação de quem depende do serviço público. Nomes como o Professor Cláudio VenturaNunes Ambiental e Ronaldo Almança surgem como vozes ativas, denunciando, questionando e expondo o que acontece de fato. Não por interesse político, mas por necessidade coletiva. São eles que, na prática, fazem o papel que deveria ser institucional.

Recentemente, um episódio escancarou de vez a distância entre a propaganda e a realidade. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma servidora da Prefeitura de Santana de Parnaíba, até então conhecida por ser garota-propaganda da gestão Elvis Cezar. Por anos, ela apareceu em vídeos institucionais exaltando o município como exemplo de excelência administrativa, a tal “melhor gestão do Brasil”.

A vida, no entanto, resolveu testar o discurso.. A servidora deu entrada no Hospital Santa Ana com um quadro de apendicite e quase morreu. Enfrentou complicações graves, inclusive nos rins. Hoje, a mesma pessoa que exaltava o sistema lamenta publicamente a péssima qualidade do atendimento recebido. Depois de quase “ir de arrasta pra cima”, como o povo costuma dizer, descobriu na própria pele aquilo que muitos já vinham denunciando..

É um daqueles casos em que o mundo não gira, capota! A propaganda encontrou a realidade, e a realidade não tinha filtro, nem edição, nem slogan.

No fim das contas, o Hospital Santa Ana virou símbolo de algo maior. Não apenas de falhas na saúde, mas de um modelo de gestão que investe pesado na imagem e pouco na entrega. De uma política que prefere likes a laudos, discursos a diagnósticos, fotos a fiscalização!

Um hospital não se mede pelo número de leitos no folder, mas pelos serviços que presta. Uma gestão não se prova no marketing, mas no atendimento ao cidadão. E uma oposição não se faz em postagem, mas em ação.

Fica a reflexão.. Quando a propaganda é mais eficiente que o atendimento, algo está muito errado. Porque, no final do dia, não é o discurso que salva vidas. É o hospital funcionando de verdade.

FONTE: Raquel Toian

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Blog/coluna Raquel Töian é Advogada (OAB/SP 422.822), Jornalista (MTB 0092516/SP), e pós-graduada em Direito Público - Faculdade Legale. Ex-Servidora, com 11 anos de experiência na Prefeitura de Santana de Parnaíba, ela se destaca por sua atuação na política local, escrevendo sobre o tema e fiscalizando a cidade. Ela também realiza denúncias ao Ministério Público, sempre em busca de transparência e justiça na gestão pública.https://linktr.ee/RaquelToian
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