Profissionais questionam uso de recursos pagos pela advocacia para homenagear esposa de prefeito e vereadora
Enquanto advogados enfrentam o peso de anuidades cada vez mais altas para manter o exercício regular da profissão, a Ordem dos Advogados do Brasil de Santana de Parnaíba, volta a ser alvo de críticas por escolhas que levantam questionamentos sobre suas prioridades institucionais.
Em uma cidade onde grande parte da população já custeia, por meio de impostos, a atuação de agentes públicos, causa estranheza ver a OAB utilizar recursos provenientes da própria advocacia para homenagear figuras ligadas ao meio político, como esposa de prefeito e vereadora, pessoas que já recebem dinheiro público para exercer suas funções.
A situação expõe um contraste incômodo: de um lado, profissionais do direito lidando com dificuldades reais, buscando valorização, respeito às prerrogativas e melhores condições de trabalho; do outro, uma instituição que, ao invés de concentrar esforços nessas demandas, se envolve em atos que soam como aproximação política e promoção de figuras públicas.
A crítica que surge no meio jurídico é direta: a OAB não é, e não pode se tornar, um espaço de articulação política ou de distribuição de homenagens que não dialogam com a advocacia. Não se trata de negar reconhecimento a quem atua na vida pública, mas de questionar o uso de recursos da classe para esse tipo de finalidade.
Para muitos advogados, o problema vai além do ato em si. Ele simboliza um distanciamento crescente entre a entidade e aqueles que ela deveria representar. Em vez de ser um instrumento firme na defesa dos interesses da advocacia, a instituição passa a ser vista, em situações como essa, como um palco de conveniências.
“Enquanto a advocacia paga caro para exercer a profissão, a entidade que deveria defendê-la se ocupa em homenagear quem já é remunerado com dinheiro público”, resume a insatisfação que ecoa entre profissionais da área.
A cobrança, portanto, não é apenas por economia ou contenção de gastos, mas por coerência institucional. A OAB deve estar alinhada com as necessidades de seus filiados, priorizando ações que fortaleçam a classe e respeitem a finalidade para a qual foi criada.
Porque, no fim, a mensagem é simples e direta: a OAB não é palanque político. É, ou deveria ser, a casa da advocacia! E a advocacia espera ser, de fato, representada, não utilizada como instrumento para agradar terceiros.