17/02/2025 às 01h16 - atualizada em 17/02/2025 às 02h58
Redação
COTIA / SP
A cidade de Santana de Parnaíba vive um verdadeiro estado de exceção, onde aqueles que ousam fiscalizar, denunciar ou questionar o poder são silenciados por meio de violência e perseguição. Dois episódios recentes demonstram como o aparato político e institucional da cidade opera para proteger os poderosos e reprimir qualquer tentativa de transparência e justiça.
O morador da cidade agredido por fazer o trabalho que os vereadores ignoram
Nunes Ambiental assumiu o papel que os 17 vereadores eleitos, cada um recebendo um salário de R$ 16.503,19, deveriam estar desempenhando: fiscalizar uma obra da prefeitura que, apenas seis meses após sua inauguração, já precisou ser refeita três vezes.
Ao gravar um vídeo em Alphaville denunciando a situação, Nunes foi agredido por servidores da própria administração municipal. Entre os agressores estava Juninho, ex-assessor do ex-deputado Cezar, acompanhado por outros dois funcionários da prefeitura que ainda não foram identificados. A agressão deixou o contribuinte com uma lesão corporal, um fato grave que deveria gerar uma ação imediata da Câmara Municipal e das autoridades, mas que, como de costume, foi ignorado pelos vereadores da cidade.
Em vez de repúdio, investigação e punição dos responsáveis, a reação do ex-deputado Cezar foi um verdadeiro escárnio. Em um vídeo, ele não apenas minimizou o problema, mas tentou desmoralizar o morador, atribuindo a situação às mudanças climáticas e citando as enchentes que atingiram as casas de personalidades como Deolane e Simone Mendes. Ainda teve a audácia de insultar Nunes, dizendo que ele “não trabalha”, que sua mulher “tocou ele de casa” e, para coroar a baixaria, afirmou que chamar o sujeito de burro seria um "insulto à família do burro".
Se um cidadão não pode sequer gravar um vídeo denunciando uma obra malfeita sem ser agredido e publicamente humilhado, onde está a democracia em Santana de Parnaíba?
Advogada multada por apresentar provas contra Elvis Cezar
Se o caso de Nunes Ambiental demonstra como a violência física é utilizada para silenciar os incômodos, o que aconteceu com a advogada Raquel Töian mostra como a Justiça se tornou um instrumento para punir aqueles que ousam expor a verdade.
Raquel Töian apresentou provas contundentes em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra o prefeito Elvis Cezar, na 428ª Zona Eleitoral de Santana de Parnaíba/SP. No entanto, em vez de aprofundar-se nas graves denúncias, a Justiça decidiu multar a advogada em R$ 6.072,00 por "Litigância de Má-Fé". A justificativa? Suposto "tumulto processual". Em outras palavras: apresentar provas contra Elvis Cezar agora é crime.
A punição absurda levou Raquel Töian a recorrer a uma vaquinha para conseguir pagar a multa imposta, uma situação humilhante para qualquer profissional do Direito que apenas fez seu trabalho.
Santana de Parnaíba: um regime de opressão disfarçado de democracia
Esses dois episódios escancaram o que já se tornou evidente para quem acompanha a política local: Santana de Parnaíba é uma cidade onde o poder está blindado contra qualquer fiscalização e onde quem se atreve a questionar sofre as consequências.
Seja um morador que grava um vídeo e é agredido, seja uma advogada que apresenta provas e recebe uma multa, a mensagem é clara: não se atrevam a desafiar o sistema!
Diante desse cenário, cabe perguntar: até quando os cidadãos de Santana de Parnaíba aceitarão viver sob esse regime de impunidade e autoritarismo? A cidade não precisa de vereadores inertes nem de justiça seletiva. Precisa de coragem, transparência e uma sociedade disposta a lutar pelo que é certo.
O que Nunes e Raquel fizeram vale mais do que os 17 vereadores de Santana de Parnaíba juntos. Enquanto esses nobres parlamentares embolsam seus salários de R$ 16.503,19 para fazer figuração, um morador foi agredido por fiscalizar o que eles deveriam fiscalizar, e uma advogada foi punida por fazer o que a Justiça deveria fazer.
E os vereadores? Estão ocupados demais batendo palma para o Prefeito, aprovando projetos sem ler, tirando foto em inauguração e fingindo que trabalham. O silêncio deles não é descaso, é cumplicidade.
A verdade é que Nunes e Raquel entregaram mais serviço público do que essa turma inteira do Legislativo. Se é para não fazer nada, pelo menos poderiam ter a decência de devolver o salário.
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FONTE: Reportagem local
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