Elvis Cezar, “A Cabeça do Líder” e a crise que agora divide até a própria base política
Elvis Cezar, “A Cabeça do Líder” e a crise que agora divide até a própria base política
A crise envolvendo o Hospital e Maternidade Santa Ana deixou de ser apenas alvo de críticas da oposição e passou a expor um desgaste dentro da própria base política do prefeito Elvis Cezar. E isso talvez seja um dos sinais mais preocupantes para o governo municipal.
Nos últimos meses, moradores vêm utilizando redes sociais, vídeos e manifestações públicas para denunciar problemas no atendimento, dificuldades estruturais, transferências de pacientes, demora em procedimentos e reclamações relacionadas à administração da unidade hospitalar. Porém, agora, as críticas não partem apenas de adversários políticos.
A vereadora Sabrina Colela, integrante do mesmo grupo político do prefeito, publicou um posicionamento afirmando que vem recebendo denúncias desde a inauguração do hospital, em novembro de 2025, e que já vinha cobrando providências da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde há meses.
A fala chama atenção porque rompe o discurso de normalidade sustentado por parte da base governista. Quando críticas surgem apenas da oposição, o governo normalmente tenta tratá-las como disputa política. Mas quando uma vereadora da própria base admite publicamente problemas graves e confirma que vinha pressionando internamente por soluções, o cenário ganha outro peso político.
E não é a primeira vez que a Vereadora Sabrina Colela adota postura crítica em relação à atual administração. Nos bastidores políticos da cidade, já é conhecida a existência de desgastes e divergências entre setores do grupo governista.
O caso se torna ainda mais simbólico porque acontece justamente durante a gestão de um prefeito que lançou o livro "A Cabeça do Líder", obra em que defende princípios como responsabilidade, preparo, escuta e protagonismo diante das crises.
Em um dos trechos do livro, Elvis Cezar afirma: “O líder nunca é a vítima, é solução.” Em outro momento, escreve: “Quem terceiriza a culpa enfraquece o próprio time.” As frases ganharam repercussão nas redes sociais após o agravamento das denúncias envolvendo o Hospital Municipal.
A principal contradição apontada é justamente entre o discurso apresentado no livro e a crise enfrentada pela população poucos meses após a inauguração do hospital, cuja obra levou cerca de cinco anos para ser concluída.
A situação se agravou de vez após a publicação do Decreto nº 5.375, de 14 de maio de 2026, no qual a Prefeitura de Santana de Parnaíba declarou situação de emergência na saúde pública municipal e determinou a intervenção administrativa no Hospital e Maternidade Santa Ana. O decreto também afastou cautelarmente a OSS AGIR, organização responsável pela gestão da unidade.
O próprio documento oficial reconhece “risco concreto de comprometimento da continuidade da prestação e da qualidade dos serviços de saúde” e cita indícios de irregularidades envolvendo possível má utilização de recursos públicos, deficiência na prestação de contas e descumprimento de obrigações contratuais.
Na prática, o decreto acaba funcionando como uma confirmação institucional de que os problemas denunciados pela população realmente existiam. E isso fortalece ainda mais as cobranças feitas por moradores e por parlamentares, inclusive dentro da própria base do governo.
Outro ponto que chama atenção é o silêncio de parte significativa da Câmara Municipal diante da crise. Enquanto moradores utilizam redes sociais para denunciar problemas e cobrar respostas, muitos vereadores permanecem sem posicionamentos contundentes ou ações públicas efetivas de fiscalização.
Nesse cenário, a manifestação da vereadora Sabrina Colela ganha relevância justamente por quebrar essa blindagem política em torno do governo. Porque uma coisa é a oposição atacar a administração municipal. Outra, muito diferente, é quando integrantes do próprio grupo político começam a admitir publicamente falhas graves na condução da saúde pública.
No fim, o episódio acaba transformando o próprio livro “A Cabeça do Líder” em parâmetro de cobrança política. Afinal, quando um governante publica uma obra defendendo liderança, responsabilidade e capacidade de enfrentar crises, naturalmente passa a ser cobrado não apenas pelo discurso, mas principalmente pelos resultados entregues à população.
Fontes: Sabrina Colela:
DECRETO N° 5.375, DE 14 DE MAIO DE 2026:
FONTE: Raquel Toian - Jornalista Regional
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