Caso levanta debate: quem impede a fiscalização atrapalha o desenvolvimento da cidade?
Na 6ª sessão ordinária realizada em 17 de março de 2026, um fato chamou atenção não apenas pelo resultado da votação, mas principalmente pelo que ele revela sobre a forma como vem sendo conduzido o trabalho dentro da Câmara.
O vereador Gabriel Oliani apresentou um requerimento pedindo informações à Prefeitura sobre a área da educação, algo básico dentro da função de qualquer vereador, que é fiscalizar.
O que torna a situação ainda mais grave é que Gabriel Oliani não é um vereador de oposição, não é alguém de fora criticando o governo, mas sim alguém que faz parte do mesmo grupo político do prefeito Elvis Cezar. Mesmo assim, teve seu direito de exercer o próprio trabalho limitado pelos colegas do mesmo grupo, ao ter seu requerimento rejeitado.
A votação terminou com apenas um voto favorável, do vereador Ronaldinho, enquanto 10 vereadores votaram contra o pedido. Além disso, a sessão ainda contou com a ausência dos vereadores Fátima, João, Jonathan e Sabrina, o que também pesa quando se trata de um tema importante como a educação, já que menos vereadores presentes significa menos debate e menos responsabilidade sendo assumida naquele momento.
Durante a discussão, o vereador Adalto Pessoa disse que todas as informações já estariam disponíveis para os vereadores e até para a população, mas não explicou de forma clara onde essas informações podem ser encontradas. Se a informação existe, mas ninguém sabe onde está, na prática ela não está acessível. Já a vereadora Nelci afirmou que “somos um grupo” e que o requerimento seria desnecessário, o que levanta uma questão séria: desde quando fazer perguntas e buscar informações virou algo que atrapalha o grupo?
O próprio Gabriel Oliani deixou claro que não estava atacando o prefeito, não estava criando conflito, apenas tentando cumprir seu papel. E é exatamente isso que chama atenção: se até um vereador da base do governo, alguém que está do mesmo lado, encontra dificuldade para pedir informações, o que se pode esperar quando a cobrança vem de fora?
Existe uma diferença clara entre um vereador de oposição questionar e um vereador do próprio grupo fazer isso. Quando vem da oposição, muitos tentam desqualificar dizendo que é crítica política, que é briga, que é disputa. Mas quando vem de dentro, quando alguém do próprio grupo sente necessidade de pedir explicações, isso mostra que o problema é mais profundo e não pode ser ignorado.
O que se viu nessa sessão foi um vereador sendo impedido de fazer seu trabalho pelos próprios colegas, pelo próprio grupo ao qual pertence. Não foi apenas a rejeição de um documento, foi um sinal de que a fiscalização pode estar sendo tratada como algo incômodo, quando na verdade deveria ser algo normal, esperado e até incentivado.
São 17 vereadores, todos pagos com dinheiro público, e a função deles não é apenas concordar entre si, mas sim garantir que as coisas estejam sendo feitas da forma correta. Quando um pedido de informação é barrado, não é só o vereador que perde, é a população que fica sem resposta.
No fim das contas, fica uma pergunta simples: se até quem está dentro do grupo tem dificuldade para fiscalizar, quem de fato está conseguindo fazer esse trabalho? Porque sem fiscalização de verdade, não existe melhoria, não existe avanço, e quem paga por isso é sempre a população.