08/09/2026 às 22h33
Raquel Toian
Santana de Parnaíba / SP
Participar de quatro grandes eventos ligados ao mercado da beleza, dos cabelos, das marcas e da influência digital ao longo de 2026 acabou proporcionando uma experiência que vai muito além de conhecer lançamentos, assistir a palestras ou encontrar pessoas conhecidas do setor.
Ao passar pelo Hair Summit, pelo Influent Summit, pelo Beauty Show e pela Beauty Fair, foi possível perceber que, embora todos estejam de alguma maneira ligados ao mesmo universo, a forma como cada evento organiza seus espaços, recebe o público, aproxima marcas e profissionais e administra a circulação de pessoas pode produzir experiências completamente diferentes.
A comparação se torna ainda mais interessante porque algumas marcas estavam presentes em mais de um desses eventos, permitindo observar não apenas as diferenças entre as feiras, mas também como uma mesma empresa pode atender o público de maneira muito diferente dependendo do ambiente em que está inserida.
No Hair Summit, por exemplo, a experiência foi marcada por uma organização mais tranquila e por uma circulação que permitia ao visitante conhecer os espaços, conversar com representantes das marcas e entender melhor os produtos e serviços apresentados. Mesmo com a presença de empresas importantes do mercado, havia uma sensação maior de organização, o que facilitava o contato entre profissionais e expositores.
Essa percepção ficou ainda mais evidente quando algumas dessas mesmas marcas foram encontradas posteriormente na Beauty Fair. O produto poderia ser o mesmo, a empresa poderia ser a mesma e até mesmo algumas das pessoas responsáveis pelo atendimento poderiam ser as mesmas, mas a experiência era completamente diferente. O volume de pessoas e a concentração do público transformavam aquilo que deveria ser uma oportunidade de relacionamento em uma verdadeira disputa por espaço e atenção.
É justamente aí que surge uma questão que merece ser discutida: até que ponto um evento consegue crescer sem comprometer a experiência de quem participa?
A Beauty Fair é um dos maiores eventos do setor de beleza e justamente por isso atrai um público enorme, uma quantidade gigantesca de marcas e uma grande concentração de profissionais, criadores de conteúdo e visitantes. O tamanho impressiona, mas o gigantismo também pode produzir problemas.
Durante a edição de 2026, a experiência de muitos participantes foi marcada por lotação, dificuldade de circulação e confusão em determinados momentos e espaços, enquanto nas redes sociais começaram a aparecer críticas relacionadas à forma como o evento estava sendo conduzido e à percepção de que a feira estaria cada vez mais voltada para influenciadores e blogueiras.
É importante separar percepção de fato. Uma coisa é afirmar que determinado evento foi tomado por influenciadores, outra é observar que uma parte significativa do público passou a enxergar dessa maneira. A discussão, portanto, não está necessariamente em saber se existem ou não influenciadores na feira, mas em entender se a presença cada vez maior desses profissionais está mudando a finalidade percebida do evento.
A pergunta que fica é simples: uma feira criada para aproximar profissionais, marcas, distribuidores e consumidores do mercado de beleza pode continuar oferecendo uma boa experiência quando o número de pessoas cresce de maneira tão expressiva?
O problema não é o influenciador estar presente. Pelo contrário, o mercado mudou e os influenciadores passaram a exercer uma função importante na divulgação de produtos, na construção de tendências e na comunicação das marcas. O problema aparece quando diferentes públicos passam a disputar o mesmo espaço sem que a estrutura do evento consiga acompanhar essa mudança.
E foi justamente nesse ponto que a experiência no Influent Summit chamou atenção.
Diferentemente dos grandes eventos generalistas de beleza, o Influent Summit tem uma proposta muito mais direcionada ao universo dos influenciadores, da criação de conteúdo e da chamada Creator Economy. Em vez de tentar colocar dentro do mesmo espaço profissionais de salão, distribuidores, compradores, consumidores, marcas e criadores de conteúdo, o evento parte de uma proposta específica: aproximar quem produz influência de quem precisa dessa influência para divulgar seus produtos e serviços. Essa especialização muda completamente a dinâmica.
No Influent Summit, o influenciador não parece ser um visitante que encontrou espaço dentro de uma feira de beleza. Ele é parte central da proposta do evento. Isso permite discutir de maneira mais direta aquilo que está acontecendo atualmente no mercado digital, incluindo novas formas de contratação, plataformas e aplicativos que estão sendo desenvolvidos para aproximar marcas e criadores de conteúdo.
Esse mercado está deixando de depender exclusivamente de contatos feitos pelas próprias agências ou pelos departamentos de marketing das empresas. Estão surgindo ferramentas que funcionam como verdadeiras pontes entre marcas e influenciadores, permitindo que empresas encontrem criadores de conteúdo de acordo com seu público, sua região, seu número de seguidores, seu perfil de audiência e, em alguns casos, até mesmo o tipo de conteúdo que produzem.
Na prática, isso cria uma espécie de mercado organizado da influência. A marca apresenta uma campanha ou uma oportunidade, os influenciadores podem ser identificados de acordo com determinados critérios e a relação comercial passa a ser estruturada de uma maneira muito mais profissional.
É uma mudança importante porque o influenciador deixou de ser apenas aquela pessoa que recebe um produto de uma empresa e publica uma foto ou um vídeo por iniciativa própria. Hoje existe uma cadeia profissional envolvendo negociação, produção de conteúdo, métricas, alcance, engajamento, campanhas, contratos e resultados.
Nesse aspecto, o Influent Summit mostrou uma realidade que muitas vezes fica escondida quando observamos apenas as grandes feiras de beleza: o mercado da influência se tornou um negócio próprio.
Já o Beauty Show apresentou uma outra experiência, com uma proposta também diferente e com seus próprios desafios. Assim como acontece em grandes eventos, a concentração de público e a presença de diferentes perfis de visitantes podem criar situações em que a experiência individual começa a ser afetada pela própria dimensão do evento.
E é justamente essa comparação que torna os quatro eventos interessantes.
Não se trata de dizer simplesmente que um é bom e outro é ruim. Cada evento possui uma proposta, um público e uma dimensão diferentes. O problema começa quando o crescimento de um evento não é acompanhado pela estrutura necessária para atender adequadamente quem está ali.
Uma marca que consegue conversar tranquilamente com profissionais durante um evento como o Hair Summit pode encontrar uma realidade completamente diferente quando participa de uma feira gigantesca como a Beauty Fair. O visitante que consegue parar, perguntar, conhecer um produto e conversar com um representante em um ambiente mais organizado pode, em outro evento, encontrar filas, excesso de pessoas, dificuldade de acesso e pouco tempo para conversar.
E isso também muda a própria relação entre marca e consumidor.
Uma feira não é apenas um lugar para colocar produtos em exposição. Ela deveria ser uma oportunidade de relacionamento. É ali que o profissional conhece uma novidade, conversa com quem representa a empresa, tira dúvidas, testa produtos, compara alternativas e muitas vezes decide o que vai comprar ou recomendar depois.
Quando o excesso de público impede essa conversa, existe uma contradição interessante: o evento pode estar lotado e, ao mesmo tempo, estar oferecendo menos oportunidade de relacionamento.
Essa talvez seja uma das principais lições deixadas pela experiência nos quatro eventos de 2026.
O tamanho de uma feira pode ser utilizado como indicador de sucesso, mas número de visitantes não conta sozinho a história de um evento. Também é necessário perguntar como essas pessoas foram recebidas, se conseguiram circular, se tiveram acesso às marcas, se conseguiram participar das atividades, se conseguiram assistir às palestras e, principalmente, se saíram dali com a sensação de que o evento entregou aquilo que prometeu.
A experiência com Hair Summit, Influent Summit, Beauty Show e Beauty Fair mostra que o mercado de beleza está passando por uma transformação importante. As marcas não precisam mais falar apenas com profissionais tradicionais. Elas precisam falar com criadores de conteúdo, influenciadores, consumidores, especialistas, donos de salão, distribuidores e uma infinidade de novos atores que surgiram com as redes sociais.
O desafio, portanto, não é simplesmente colocar todo mundo dentro do mesmo pavilhão.
O verdadeiro desafio é conseguir organizar esse novo mercado de maneira que cada público tenha espaço para participar, as marcas consigam se relacionar com quem realmente interessa e o visitante não seja tratado apenas como mais um número na estatística de público.
Depois de passar pelos quatro eventos, uma conclusão parece inevitável: um evento cheio não é necessariamente um evento bem organizado, assim como um evento gigantesco não é necessariamente uma experiência melhor.
Às vezes, uma feira menor, mais especializada e mais organizada consegue proporcionar muito mais contato, informação e relacionamento do que um evento gigantesco onde o visitante passa horas tentando simplesmente conseguir chegar até uma marca.
No fim das contas, talvez o futuro dos grandes eventos de beleza não esteja apenas em colocar cada vez mais pessoas dentro de um pavilhão, mas em entender quem são essas pessoas, o que elas procuram e qual experiência realmente faz sentido para cada uma delas.
Porque, em um mercado no qual beleza, tecnologia, influência e negócios estão cada vez mais misturados, organizar bem um evento deixou de ser apenas uma questão de logística. Tornou-se parte da própria experiência da marca e, consequentemente, da maneira como o público passa a enxergar aquela empresa.
CUPOM DE DESCONTO PROHALL: rtoian-vszke .
FONTE: Jornalista Raquel Toian
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Santana em Questão - Raquel Toian
Blog/coluna Raquel Töian é Advogada (OAB/SP 422.822), Jornalista (MTB 0092516/SP), e pós-graduada em Direito Público - Faculdade Legale. Ex-Servidora, com 11 anos de experiência na Prefeitura de Santana de Parnaíba, ela se destaca por sua atuação na política local, escrevendo sobre o tema e fiscalizando a cidade. Ela também realiza denúncias ao Ministério Público, sempre em busca de transparência e justiça na gestão pública.https://linktr.ee/RaquelToianHá 1 hora
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