domingo, 18 de agosto de 2019
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Geral

10/08/2019 às 22h30 - atualizada em 10/08/2019 às 22h52

Redação

COTIA / SP

Saiba mais sobre a Aranha Armadeira, uma das mais populares e venenosas do Brasil
Sua intensidade é variável, podendo se irradiar até a raiz do membro acometido. Outras manifestações que podem ocorrer são: edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada, onde podem ser encontradas as marcas de dois pontos de inoculação, priapismo, choque anafilático e edema pulmonar.
Saiba mais sobre a Aranha Armadeira, uma das mais populares e venenosas do Brasil
O poder da aranha armadeira

Os aracnídeos do gênero Phoneutria são conhecidos popularmente como Aranhas Armadeiras ou Aranhas de Bananeiras, com espécies muito agressivas. Durante o período do dia escondem-se em lugares úmidos e escuros, tendo suas atividades nos horários noturnos. Essas aranhas não constroem teias para capturar suas presas, elas imobilizam a vítima com o auxílio do veneno. Estas aranhas caracterizam-se pela disposição dos olhos em três filas (2-4-2); no abdômen há pares de manchas claras formando uma faixa longitudinal. As pernas apresentam espinhos negros implantados em manchas claras. Sua marca registrada é o comportamento defensivo em posição ereta, com movimentos laterais do corpo e com as pernas dianteiras elevadas: tal comportamento originou seu nome popular. Estão distribuídas por quase toda a América Central e do Sul, desde a Guatemala até o norte da Argentina, podendo ser encontradas em bananeiras, folhagens, entre madeiras e pedras empilhadas e no interior de residências.


As aranhas armadeiras possuem um veneno extremamente ativo em seres humanos, aliado ao seu sinantropismo, ou seja, sua adaptação em ambientes urbanos, faz com que as armadeiras sejam responsáveis por boa parte dos acidentes com artrópodes peçonhentos no Brasil. Por outro lado, algumas propriedades farmacológicas instigam cientistas que buscam por aplicações biotecnológicas de compostos derivados das toxinas presentes no veneno. Os acidentes provocados por Phoneutria ocorrem durante o ano todo, aumentando a incidência nos meses de abril e maio. Este período coincide com a época de acasalamento das armadeiras, o que as torna mais ativas.


As ações do seu veneno causam retardo da inativação dos canais neuronais de sódio, o que pode provocar despolarização das fibras musculares e terminações nervosas sensitivas, motoras e do sistema nervoso autônomo, favorecendo a liberação de neurotransmissores, principalmente acetilcolina e catecolaminas. Também isola peptídeos que podem induzir a contração da musculatura lisa vascular e aumentar a permeabilidade vascular, independentemente da ação dos canais de sódio. No quadro clínico de um acidente com armadeiras predominam as manifestações locais. A dor imediata é o sintoma mais frequente; apenas 1% dos casos apresentam-se assintomáticos após a picada. Sua intensidade é variável, podendo se irradiar até a raiz do membro acometido. Outras manifestações que podem ocorrer são: edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada, onde podem ser encontradas as marcas de dois pontos de inoculação, priapismo, choque anafilático e edema pulmonar.


Os acidentes são classificados em Leve, Moderado e Grave:


Leve: predominam as manifestações locais como dor, inchaço, vermelhidão da pele e suor na região da picada. Pode aparecer a marca da picada.


Moderado: além das manifestações locais, observam-se alterações sistêmicas como aceleração da frequência dos batimentos cardíacos, aumento na pressão sanguínea, suor, agitação e vômito.


Grave: ocorrem principalmente em crianças que apresentam, além das manifestações já descritas, vômito profuso, ereção peniana involuntária persistente, diarreia, diminuição da frequência dos batimentos cardíacos, pressão sanguínea baixa, arritmia cardíaca, edema agudo de pulmão e choque. 


Tratamento


Apesar da alta toxicidade da peçonha da armadeira, a absoluta maioria dos casos registrados são considerados leves e de prognóstico benéfico. Nestes casos o tratamento é sintomático resumindo-se a analgésicos via oral e anestésico local xilocaína e, em caso de ânsia de vômito, um antiemético como Plasil (Metoclopramida). Nos moderados que apresentam sudorese acompanhada de leve taquicardia e hipertensão, o tratamento sintomático é acompanhado do específico com soro antiaracnídeo. Nos casos graves que apresentam grandes alterações na pressão arterial com taquicardia/bradicardia e sudorese profusa, uma dose maciça de soro antiaracnídeo juntamente com cuidados médicos intensivos tornam-se necessários.

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