Terça, 18 de agosto de 2026
Cidades

17/08/2026 às 13h12 - atualizada em 17/08/2026 às 20h19

Redação

COTIA / SP

Centralização e falta de transparência mergulham Câmara de Itapevi em crise institucional
Sob a gestão de Rafael Alan, revogação em massa de cargos e critérios seletivos de recondução geram clima de insegurança e suspeitas de retaliação contra servidores críticos
Centralização e falta de transparência mergulham Câmara de Itapevi em crise institucional

A Câmara Municipal de Itapevi atravessa um dos momentos mais instáveis de sua história recente, sob a condução do presidente Rafael Alan. Desde o dia 31 de julho, quando a Presidência decidiu revogar unilateralmente todas as portarias de chefia da Casa (atos nº 290 a 315), o Legislativo vive um cenário de incerteza funcional. A medida, embora justificada por uma solicitação do Ministério Público, foi acompanhada pela criação de uma comissão de reforma administrativa composta exclusivamente por três membros escolhidos a dedo pelo próprio presidente, excluindo a participação democrática do funcionalismo.


O que se seguiu à revogação em massa acirrou os ânimos: a redesignação dos servidores para os cargos de chefia ocorreu de forma seletiva. Servidores que assinaram uma Carta Aberta questionando projetos da Presidência e que criticaram a condução dos trabalhos na conturbada sessão de 23 de junho permanecem destituídos de suas funções. A coincidência entre a postura crítica dos funcionários e a perda de seus cargos tem sido interpretada internamente como uma medida de retaliação política.


Silêncio diante das entidades de classe


A postura centralizadora da Presidência também se reflete no tratamento dado às representações sindicais. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindiservita) protocolou o Requerimento nº 38/2026, pedindo que a comissão de reforma administrativa fosse paritária, com membros eleitos pelos servidores para garantir a isenção dos estudos. No entanto, Rafael Alan mantém o silêncio administrativo, não oferecendo qualquer resposta formal ao pedido da categoria,


o que reforça o isolamento da atual gestão.


A crise rompeu as paredes administrativas e ecoou no Plenário durante a sessão de 11 de agosto. O vereador Thiago Moitinho expôs a fragilidade dos argumentos da Presidência, alertando que o nome do Ministério Público não pode ser usado como "escudo" para conferir aparência de legalidade a atos discricionários que ferem a impessoalidade. “A regra precisa ser a mesma para todos”, cobrou o parlamentar, evidenciando a falta de critérios claros nas decisões de Rafael Alan.


Moitinho também deu voz ao temor de represálias que impera nos corredores da Casa, mencionando o receio dos servidores em acompanhar as sessões presencialmente por medo de punições. De forma simbólica, o presidente Rafael Alan retirou-se do plenário momentos antes do início da fala de Moitinho, evitando o embate direto sobre as denúncias de assédio institucional e desvio de finalidade.


Ao centralizar as decisões e evitar o diálogo tanto com os servidores quanto com seus pares, a Presidência da Câmara coloca em risco não apenas a harmonia interna, mas a própria  governabilidade e a imagem da instituição perante a população de Itapevi.


A reportagem procurou formalmente a Presidência da Câmara de Itapevi para que esclarecesse os critérios de recondução dos servidores e respondesse aos questionamentos levantados, mas não houve qualquer retorno até a publicação deste texto.

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